Blog of Snobs - escrito por um deles

Wer sich der Einsamkeit ergibt (Aquele que se entregou à solidão) - Goethe

A minha fotografia
Nome: David
Localização: JERUSALÉM, Israel

Quinta-feira, Outubro 09, 2008

Ensaio sobre a Cegueira

(Blindness, Brasil/Canadá/Japão, 2008)



A fotografia esbranquiçada, estourada e cheia de filtros e truques de César Charlone – a representação visual e "publicitária" da tal “cegueira branca” da trama, que sem maiores explicações atinge a população de uma cidade indeterminada, obrigando-a manter-se confinada em um hospital militarmente vigiado, sob péssimas condições de higiene e reduzida à barbárie – é como um bukaki constante nos olhos do espectador. Ou seja, mais atrapalha do que faz pensar nesta fraca, embora fiel adaptação do alegórico romance do super-aclamado (e superestimado) José Saramago. Salvam-se as locações em São Paulo como terra arrasada, à maneira da Londres de Extermínio, e, vá lá, Julianne Moore – a única a enxergar alguma coisa, ao contrário do elenco internacional e, principalmente, do espectador.

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Linha de Passe

(Brasil, 2008)



Um sub Rocco e Seus Irmãos – de subdesenvolvido mesmo. Para Daniela Thomas e, principalmente, para “Waltinho” Salles e seu cinema acetinado e todo “artístico” de riquinho xarope com consciência social (e renúncia fiscal), típico da era Lula, pobre só tem vez mesmo como empregada doméstica – obviamente mãe solteira da periferia paulistana, corintiana, de nome "Cleuza" e grávida pela enésima vez, para piorar ainda mais as coisas – motoboy, jogador de futebol, crente, motorista de busão ou então simplesmente como bandido. Lamentável – apesar do ótimo Kaique Jesus Santos (foto).

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Quinta-feira, Julho 31, 2008

Batman – O Cavaleiro das Trevas

(The Dark Knight, EUA, 2008)



Batman (re)começa. Desta vez, sem traumas de infância, manjadas filosofias de superação do tipo "cair, para depois se levantar" ou qualquer princípio excessivamente explicativo presente do início ao fim no primeiro (e superestimado) filme da retomada do noturno justiceiro mascarado. Tudo cedendo lugar à ação e às intrigas políticas num contexto mais realista, muitas vezes em plena luz do dia, neste eletrizante embate com ares de tragédia grega (daí a onipresença das máscaras e de mascarados) entre o Cavaleiro das Trevas (Christian Bale) e seu arqui-sorridente inimigo Coringa (uma das derradeiras performances do excepcional Heath Ledger) – que literalmente mergulha Gotham City no caos –, sustentado por um elenco de peso (com destaque para Aaron Eckhart como Harvey Dent/Duas Caras e Gary Oldman retornando como o inspetor tornado comissário Gordon), aqui bem mais aproveitado em ótimas subtramas que conferem a necessária dramaticidade ao conjunto da narrativa, mesmo que o diretor e co-roteirista Christopher Nolan atropele um tantinho as coisas com a sua costumeira e atabalhoada edição em algumas cenas e a mania de querer impor um ar sério e exageradamente grave a tudo – a começar pelo risível tom de voz do Batman. Mesmo assim, simplesmente o blockbuster do ano!

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Quarta-feira, Julho 30, 2008

A Banda

(Bikur Ha-Tizmoret/The Band´s Visit, Israel/França/EUA, 2007)



No Oriente Médio, o deserto é o mesmo. Os povos que o compartilham – especialmente egípcios e israelenses –, plenos de históricos conflitos entre si. Mas a música, ou a sugestão dela em meio ao silêncio e à aridez da região, e, principalmente, a língua inglesa, mediadora entre os personagens de nacionalidades aparentemente incompatíveis, harmonizam as diferenças, neste adorável filme sobre uma banda policial egípcia que, contratada para tocar num centro cultural árabe em Israel, perde-se num vilarejo israelense no meio do deserto, e seus moradores, num misto de empatia e desconfiança, os hospedam por uma noite. Assim, longe de rusgas político-religiosas, ampliam a visão de mundo uns dos outros, em momentos de humor e tolerância, apesar da rigidez e severidade do líder da banda (muito bem interpretado por Saleh Bakri). Filme bastante simpático do israelense Eran Kolirin, que conquista o espectador em seu aparente despojamento e simplicidade, sem, no entanto, forçar a barra num humanismo que se quer conciliador, atingindo as notas exatas no belo e muito aguardado concerto apresentado em seu polifônico final.

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Segunda-feira, Julho 28, 2008

Arquivo-X: Eu Quero Acreditar

(The X-Files: I Want to Believe, EUA/Canadá, 2008)



Saudades dos homenzinhos verdes... Ainda assim, OK para marcar o muito esperado reencontro entre os ex-agentes do FBI Scully (a bela Gillian Anderson) e Mulder (David Duchovny), num suspense razoável, com ecos de Frankenstein e toques de melodrama, em que pedaços decepados de corpos encontrados por um padre vidente com um passado sombrio (Billy Connolly) funcionam também como metáfora visual para determinar o relacionamento dilacerado da dupla ao longo dos anos em que estiveram afastados um do outro, apesar da direção convencional do criador da série original, Chris Carter, bem menos cinematográfica que a que Rob Bowman imprimiu no longa-metragem anterior da dupla, Aquivo-X: O Filme (1998), e que hoje, separadamente, funciona muito bem como um thriller tipicamente paranóico e premonitório do infame 11 de setembro.

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Terça-feira, Junho 24, 2008

Fim dos Tempos

(The Happening, EUA, 2008)



No lugar de um terremoto, um monstro, alienígenas exterminadores ou de uma onda gigante produzida por computador, devastando e arrasando grandes metrópoles americanas, uma brisa que balança as árvores de um parque. Suave vento, o “nada”, que, no entanto, carrega estranha toxina que provoca uma súbita e inexplicável onda de suicídios em massa, da qual fogem um professor de ciências (Mark Wahlberg) e sua mulher (Zooey Deschanel), ambos perplexos com “o acontecimento” do título original e, sobretudo, em crise no casamento. Assim é o Apocalipse de M. Night Shyamalan (O Sexto Sentido, Corpo Fechado, Sinais, A Vila): antediluviano e, principalmente, anti-hollywoodiano em sua simplicidade. Ainda assim bastante atmosférico e sugestivo, na discreta elegância com que constrói climas melancólicos e ameaçadores, fazendo uso de pouquíssimos elementos (arbustos balançando, capim ao vento, etc.), apesar do tolo subtexto ecológico e explicativo ao final, mas que se mostra, felizmente, insuficiente para dar conta da dimensão da catástrofe, que, mais do que ecológica, é inerente à outra natureza, a humana, no tocante à falência dos afetos, das relações entre os indivíduos, da desagregação familiar, etc. Algo tão devastador e bem mais palpável que uma catástrofe tipicamente hollywoodiana.

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Segunda-feira, Junho 16, 2008

O Incrível Hulk

(The Incredible Hulk, EUA, 2008)



Ainda que sem a mesma sofisticação visual ou qualquer referência ao muito injustiçado filme anterior de Ang Lee, Hulk (2003), o cientista Bruce Banner retorna muito bem na pele franzina de Edward Norton, agora vivendo escondido na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, arranhando um Português escorreito e trabalhando como operário numa fábrica de refrigerantes. Como bom “brasileiro”, não desiste nunca na busca de uma cura para a anomalia genética que o transforma no ser verde e monstruoso do título e ainda arruma um tempinho para ter umas aulinhas básicas de anger management com um dos lutadores da família Gracie, a fim de evitar a aparição indesejada da criatura, resultado de uma experiência mal-sucedida com raios gama. Mesmo oculto, continua, porém, sendo obsessivamente rastreado pelo General Ross (William Hurt), que o quer para desenvolver uma arma letal para o exército americano e pai do amor da sua vida, a dra. Betty Ross (a adorável Liv Tyler). Quando o general finalmente descobre o seu paradeiro, manda o militar Emil Blonsky (Tim Roth) em seu encalço, no Rio, forçando Banner a voltar a ser o bom Hulk de antigamente para fugir dali. Aí o pau come de vez e o filme não pára mais, graças à boa condução do francês Louis Leterrier, especialista em fitas de ação e quebra-pau, como os dois Carga Explosiva (2002/2005) e Cão de Briga (2005), ao roteiro fiel aos quadrinhos originais, além do ótimo elenco e da boa ambientação no Brasil, mesmo que os efeitos especiais, um dos principais problemas do filme de Lee, ainda não sejam tão convincentes na recriação das criaturas e a edição picotada suprima perceptivelmente alguns momentos importantes, especialmente na continuidade das lutas, como no confronto final entre Hulk e Blonsky, então transformado no Abominável. Mesmo assim, é inegável: nesta mais do que satisfatória retomada do querido verdão da Marvel, Hulk volta arrebentando pra valer e, melhor, não estará mais sozinho nessa briga!

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Domingo, Junho 15, 2008

Listas e um breve retorno

Até que não foi tão complicado montar a lista dos melhores filmes nestes tão precoces anos 2000. Foi até bem divertido, embora me arrependa um pouco de ter deixado vários belíssimos títulos de fora (Lady Chatterley, Império dos Sonhos, Senhores do Crime, Síndromes e Um Século, Não Toque No Machado, Amantes Constantes, Miami Vice, etc.). Mas seleção é escolha e corte mesmo. Sem dó. E assim vou aos poucos retornando a este espaço quase inutilizado. Tá bom... Ei-la:

1) O Tempo e a Maré (2000), Tsui Hark
2) Onde os Fracos Não Têm Vez (2007), Joel e Ethan Coen
3) Menina de Ouro (2004), Clint Eastwood
4) Cidade dos Sonhos (2001), David Lynch
5) A Inglesa e o Duque (2001), Eric Rohmer
6) Sob a Névoa da Guerra (2003), Errol Morris
7) Fale Com Ela (2002), Pedro Almodóvar
8) O Novo Mundo (2005), Terrence Malick
9) Gangues de Nova Iorque (2002), Martin Scorsese
10) Exilados (2006), Johnnie To
11) Sangue Negro (2007), Paul Thomas Anderson
12) Marcas da Violência (2005), David Cronenberg
13) Os Incríveis (2004), Brad Bird
14) Kill Bill, Vol. 1 (2003), Quentin Tarantino
15) O Segredo de Brokeback Mountain (2005), Ang Lee
16) Guerra dos Mundos (2005), Steven Spielberg
17) Kedma (2002), Amos Gitai
18) Amor à Flor da Pele (2000), Wong Kar-Wai
19) Um Filme Falado (2003), Manoel de Oliveira
20) Zodíaco (2007), David Fincher



O Tempo e a Maré: para mim, o campeão absoluto é adrenalina pura, movimento que não pára nunca, ação, diversão, tomadas maravilhosas, um exercício cinemático, hipercinético e hiperbólico dos mais vibrantes, pouco importando a maravilhosa confusão da trama, que envolve tiroteios coreografados com maestria, gângsteres de Hong Kong, guarda-costas picaretas, traficantes sul-americanos de Aracaju com rostos chineses e sotaque hispânico, um assassino profissional voltando à ativa , uma policial lésbica grávida no meio de todos e uma eletrizante perseguição de rapel num treme-treme na "Cidade das Baratas". Um dos filmes mais bacanas do mundo!

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